CHRONOS THE TIME
ANYA
DAMARANOVNA WOLFF LEONTYEVA



Livro I


Se aproximou receosa das outras crianças, com as mãos pra trás e cabeça baixa.

Não gostava daquele lugar, preferia ir pro ‘lugar das cores’ onde a mãe trabalhava... Mas a mãe dizia que era melhor passar mais tempo com outras crianças, que ela e o irmão não podiam ficar o tempo todo agarrados na barra da sua saia.

Olhou pras outras meninas com seus vestidinhos rodados e lacinhos enfeitando os cabelos, mexeu de leve nos seus fios, sentindo-os grossos entre os dedos. Puxou um pouco quando o dedo enroscou num emaranhado dele arrancando alguns da raiz, fez uma leve careta de dor. A mãe havia enfeitado ela também, mas com dois lacinhos simples, de tecido comum. Nada de fitas de babados ou brilho demais... não gostava daqueles adereços. Atrapalhavam na hora de brincar, correr e cavar o chão de terra.

Uma das garotas olhou pra ela, tinha olhos redondos e grandes, claros como céu de dia, volumosos cachos dourados emoldurando o rosto alvo e bochechas rosadas. Parecia uma princesa daqueles desenhos que assistia quase todas as tardes em casa, com o irmão. A menina, da mesma idade que ela, virou o rosto depressa, rindo com as outras e cochichando em seus ouvidos.

Suspirou mais uma vez e olhou pros próprios sapatos, tinham uma carinha de bicho nas pontas. Ela adorava bichos, mas a mãe não deixava ter no apartamento... dizia que já tinha os dois filhotes pra cuidar, então, só brincava com a gatinha branca peluda de olhos azuis, quando ia na casa do tio estranho que sempre a tratava bem, mas que tinha um jeito diferente de olhar pra mãe dela.

Todas as garotinhas do grupo agora riam dela, sem disfarçar. Sentiu o sangue ferver e as bochechas corarem violentamente. Pois que rissem! Elas e suas bonecas tão cheias de babados e laçarotes cor de rosa! Elas e suas rendas em camadas formando saias volumosas e seus sapatinhos de vinil refletindo tudo em volta.

Se afastou e foi se agachar perto do canteiro de flores, sentindo as bochechas em chamas, formando o bico que sua mãe sempre ria e empurrava com o dedo pra dentro. Ouvia as risadas as suas costas quando começou a cavar, metendo os dedos na terra fria e molhada da chuva da noite anterior. Sentiu a sujeira marrom penetrando as unhas curtas e delicadas por causa dos poucos anos de vida que ainda tinha. Procurou rápido e achou depois de alguns segundos, tentando ignorar as risadas que aumentaram de volume quando ela começou a ‘brincar’ com a terra.

Gritinhos com a palavra ‘melecosa’ e ‘melequenta’ faziam coro as risadas, mas nenhuma das supervisoras que tomavam conta daquele ala estava presente pra tomar conta da situação.

Puxou com força o bicho de seu esconderijo na terra, sentindo a criatura gosmenta se enrolar em seus dedos, tentando fugir. Ela não tinha medo, nem nojo... eram coisas da terra, da natureza, um dos tios disse uma vez. As pessoas eram mais nojentas que os animais.

Bom... ela não sabia de todo mundo, mas aquelas meninas eram mais nojentas que as baratas que sua mãe odiava e fazia escândalo quando via.

Pegou o bichinho segurando firme, mas com cuidado pra não machucar e levantou, limpando as mãos na roupa. A camiseta ficou imunda, mas nunca se importou com isso também, na hora do banho tudo se limpa. E ela adorava tomar banho! Às vezes se sujava ainda mais só pra demorar mais na água quentinha.

Voltou pra junto das garotas com o cenho fechado e fazendo bico, com as bochechas vermelhas e cabelos bagunçados. Encarou a de olhos redondos cor do céu e abriu a mão mostrando o bicho. Ouviu satisfeita uma exclamação de nojo vindo dela e das outras meninas. Ainda de cara fechada segurou com os dois dedinhos roliços e pequenos a criaturinha capturada da terra e abriu a boca.

Reparou com gosto, mas ainda sem descansar as feições carregadas, as garotinhas horrorizadas cobrindo as bocas, querendo se afastar, mas curiosas demais pra se moverem. Então, enfiou o que julgava ser a cabecinha da minhoca – ou o bumbum, nunca sabia qual era qual – na boca, chupando feito espaguete.

As meninas gritaram tão alto que uma das supervisoras surgiu feito mágica do lado dela, berrando apavorada:

-- ANYA!!! -- a puxou pelo braço, afastando das outras meninas e batendo de leve na mão, fazendo a minhoca cair no chão se retorcendo -- Não pode comer isso! É porcaria!!! Olha pra você! Tá toda suja... você... é impossível! Porque não é comportada como o seu irmão?!

Foi arrastada pra longe das meninas, sentindo os olhos arderem de vergonha, lacrimejou. Viu cada uma delas voltar a rir baixinho e sussurrar aquela palavra que ouvia todo dia desde que a mãe a matriculou:



Melecosa.




***



Livro II


A mãe prometeu e cumpriu. Tirou ela e o irmão daquele lugar.

Uma das coisas que mais amava na mãe era como sempre defendia os dois, não importa do que fosse. Naquela tarde, quando chegou e ouviu o que havia acontecido, o caso da ‘minhoca macarrão’ como as supervisoras estavam chamando, a mãe fechou a cara. E ela sabia o que aquilo significava.

Não entendeu muito o que ela disse, mas ouviu bem as palavras ‘muitos inteligente pra pessoas medíocres que não conseguem entender’.

E sorriu por dentro quando passaram pelas meninas frescurentas e suas mães igualmente cheias de frescura.

Por algum motivo as mães das garotinhas também não gostavam da mãe dela... uma vez ouviu duas falando algo sobre ‘garota de programa’ e ficou imaginando se a mãe trabalhava na televisão, quando saia de noite pro segundo emprego.

Uma vez chegou a perguntar o que ela fazia de noite e contou o que ouviu das mulheres, a mãe apenas riu divertida, como quem conhece um segredo e respondeu:

-- Não... a mamãe só dança. Mas se fizesse isso mesmo, elas não tinham nada a ver, né? Porque enquanto estão falando mal de mim, seus maridos me tratam muito bem. – E piscou pra Any, que ficou satisfeita com a resposta.

Naquela tarde ela não riu pras mulheres, apenas encarou por alguns segundos e no fim, avisou:

-- Podem me xingar pelas costas o quanto quiserem. Mas da próxima vez que suas filhas fizerem com os meus filhos o que vocês fazem comigo... eu arranco no tapa o dente de cada uma delas. E depois, arranco os olhos de cada uma de vocês.

E Any não sabia o que era, mas havia algo na postura da mãe e em sua expressão que fez as mulheres se assustarem.

...Seus tios diziam que eles eram uma família de pessoas especiais.

Quando estavam cruzando o portão da frente, Any ouviu um ultimo comentário maldoso:

-- Taí, sem educação de pai e mãe... se bem que pai nem deve saber quem é.

Olhou pra mãe, que pareceu não ouvir, depois olhou pro irmão, de mão dada com a mãe do outro lado. Ele sorriu pra ela, como quem diz ‘nem liga’.

Mas ela ligava, mesmo que não contasse pra eles.

E sabia que a mãe também se sentia sozinha. Às vezes, pedia pra ver a foto do pai, só um pouquinho e sempre cuidava muito bem, porque sabia que a mãe ficaria bem triste – e irritada – se ela estragasse o retrato.

Any achava que era a única e não entendia porque só tinha uma foto do pai. Achava que pelo menos podia ter duas, uma pra ela e outra pra mãe.

Não entendi também porque não tinha nenhuma foto dela bebê com o pai... talvez ele não a tivesse visto quando era pequena e sua mãe tinha mentido sobre isso.

Passou o resto da tarde abraçada no retrato, ela tinha sabia quem era o pai sim. E aquelas mulheres e garotas idiotas não sabiam de nada. E um dia ele ia voltar e ficar com eles pra sempre.

Porque a mãe lhe disse que o pai a amava. Ela acreditava nisso de todo coração e sabia que no mundo tinha que ter outra pessoa como ela...



...Melecosa.




* * *



'Sometimes I get so weird
I even freak myself out
I laugh myself to sleep
It's my lullaby

Sometimes I drive so fast
Just to feel the danger
I wanna scream
It makes me feel alive

Is it enough to love?
Is it enough to breath?
Somebody rip my heart out
And leave me here to bleed
Is it enough to die?
Somebody save my life
I'd rather be anything but ordinary, please

To walk within the lines
Would make my life so boring
I want to know that I have been to the extreme
So knock me off my feet
Come on now give it to me
Anything to make me feel alive

Let down your defenses
Use no common sense
If you look you will see
That this world is a beautiful, accident, turbulent, succulent,
Opulent, permanent no way
I wanna taste it
Don't wanna waste it away

Is it enough to love?
Is it enough to breath?
Somebody rip my heart out
And leave me here to bleed
Is it enough to die?
Somebody save my life
I'd rather be anything but ordinary, please
I'd rather be anything but ordinary, please...'*

*(Anything but Ordinary – Avril Lavigne)



CARACTERISTICAS

Modelo: LittleFée Lishe
Loja: Fairyland

Nome: Anya Damaranovna Wolff Leontyeva
Apelido: Any
Idade: 2 anos e meio
Altura: pequena
Data de Nasc: 20/08
Olhos: Castanhos Claros
Cabelos: Acinzentados
Tatuagens (presentes ou futuras): ...

Uma pessoa:
Papain, mamain, Ian (Johann)
Um sonho: ...
Um desejo: ....
Um sentimento: ...
Uma frase: ...



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