EROS THE LOVE
CHRISTOPHER WOLFGANG W.

Livro I


Ela olhava pra mim com um ar preocupado.

Preferia fingir que não via... na realidade, não me importava com aquela sua preocupação em especial. Era cômodo para mim que as coisas se mantivessem como estavam.
Não precisava crescer. Gostava de meu corpo infantil, com dobrinhas de bebê, dedos gordinhos e sorriso de pequeninos querubins retratos em capelas.
Movi minhas asas minúsculas e me aproximei dela, deitei a cabeça em seu colo, olhando sem perguntar.

-- O que farei contigo, meu pequeno...? Insiste em continuar nessa forma quando na verdade já pode se tornar um homem forte, belo... desejado.

Sorri daquele jeito que sabia desarmá-la: -- Não desejo me tornar como o Sol, minha mãe. Ele já ocupa espaço suficiente no firmamento...

-- Seria mais belo que o Sol. – Acariciou meu rosto de maças rosadas: -- É meu filho.

Me afastei alguns passos, brinquei com o arco, fazendo mira em um casal mortal que caminhava distante de nós, entretidos com seus pensamentos mundanos. Há muito, alheios a nossa existência:

-- Por isso sua vontade para que eu cresça? Para se vangloriar vaidosa de seu feito?

-- Não seja tendencioso com sua mão, meu jovem. – Levantou-se e se retirou de minha presença:

-- Não sabe o que está deixando de lado quando abre mão de sua maturidade.

Subiu as escadarias e desapareceu atrás das majestosas colunas de mármore.

De minha parte, continuei meu trabalho prazeroso, parei com a brincadeira e mirei no rapaz mortal que seguia numa conversa frívola ao lado da jovem humana.

Disparei sem receio, fios de cabelo levados ao meu rosto pelo movimento da flecha.

Olhei para o resultado de meu trabalho. Estava feito.
Ri em silêncio cheio de satisfação e orgulho.

O rapaz se afastou bruscamente da jovem enamorada, como se ela não passasse de uma víbora peçonhenta.

Não havia carregado o arco com uma flecha dourada aquela manhã... escolhi para aquele casal desafortunado, minha melhor flecha de bronze.



Livro II

Já não possuía mais meu corpo infantil e cativante.

Me tornara um jovem de aparência delicada, embora de físico satisfatório.

Ela conseguia tudo o que desejava com seus apelos nada sutis. Me dera um irmão e a partir de então, não era mais seu filho mimado e unigênito.
Não guardei mágoa. Não havia espaço para esse sentimento entre nós dois e depois, me adaptei muito bem a essa nova vida.

Poli minhas flechas douradas com esmero, joguei a aljava sobre o ombro e parti para o ventre da floresta, a fim de praticar um pouco com o arco. Não era necessário, somente divertido.

Passei algumas horas de total silêncio e concentração, até que ouvi seus passos atrás de mim:

-- Ora... se não é nosso querido Amor brincando com suas flechas...

Ignorei a primeira frase soltando a flecha, acertando em cheio no alvo.
Mas não era um costume do Sol aceitar ser ignorado, continuou a mofar de minha habilidade:

-- Faz bem em treinar, muitos ainda precisam se aperfeiçoar em seus dons. Não são como eu ou minha irmã...

Com a maior das gentilezas e sincero desejo de agradar, respondi:

-- Não deseja se juntar a mim no treino, Sol?

Foi o suficiente para que o orgulho e a vaidade de Sol o inflamasse e lhe arrancasse de vez as verdadeiras intenções da boca:

-- Como ousa? Acha mesmo que necessito de treino, fedelho?

Fui até o alvo, arranquei-lhe a flecha e sempre quieto guardei-a na minha aljava. O Sol não entendeu meu gesto como uma recusa de ceder a sua provocação:

-- Pois faça isso mesmo, treine! Quem sabe um dia chegarás aos meus pés.

Era o suficiente. Os céus seriam testemunha do quanto me contive para não responder-lhe a altura, mas o Sol não me deixaria em paz enquanto não lhe provasse quanto suas palavras poderiam ser desastrosas... para ele.

Apanhei dentro da aljava uma flecha dourada, talvez a mesma que havia atirado momentos antes, quem poderia dizer?

Antes que o Sol pudesse recuar centímetros, mirei em cheio em seu peito.

De inicio seu rosto se alterou, podia jurar que ele avançaria sobre mim e rolaríamos como duas crianças birrentas pelo chão coberto de folhas e galhos em decomposição, mas não foi assim. Apontei-lhe em direção a um riacho próximo e lá estava ela:

Uma ninfa se banhava completamente à parte da indisposição divina que acontecia entre as árvores atrás dela. Era bela, jovem, cantava como uma das nove irmãs musas...

-- Que visão! – Suspirou o já perdido de amor, Sol.

Não deixaria passar em branco as ofensas, a vida dos imortais não é tão doce quanto muitos humanos julgam.

Apanhei mais uma flecha em minha aljava, dessa vez não era uma dourada como a que usei contra ele. Mirei na pobre ninfa, que imediatamente voltou-se para nós, fazendo assim com que o Sol corresse ao seu encontro, afoito de amor.

Vi quando ela se debateu, desesperada por buscar uma saída de seus ataques e versos românticos.

A ninfa nua e molhada passou por mim sem me ver, sabia me fazer imperceptível quando queria, logo atrás dela, o Sol buscando alcançar seu belo corpo despido.

...Voltei a minha morada.

Soube dias depois que a pobre ninfa rogou aos céus para que os imortais he concedesse um refugio contra os avanços do Sol.

Seus rogos foram atendidos e ela transformada em um frondoso loureiro...

O Sol jamais a esqueceu, desde aquele dia era comum vê-lo adornar o cabelo com uma folhuda coroa de louros frescos.

Creio que não foi somente a ninfa que ele guardou dentro de si... Mas também a lição aprendida a respeito dos efeitos de minhas flechas de bronze.



Livro III

Ela se tornara uma criatura deveras irritadiça nos últimos séculos. O esquecimento, a falta de tributos em seu templo... as orgias em sua homenagem... Tudo desaparecera após os incontáveis anos.

O mundo era dos mortais e somente eles governavam a si, as deidades não mais significavam temor ou medo. Nos tornamos lendas, historias de ninar.

Por vezes a vi me olhando com um certo incomodo, como se meu trabalho a incomodasse, ofendesse.

Eu ainda transitava entre eles e mesmo entre poucos, era mencionado.

Talvez um dos únicos ainda não esquecido completamente.

Certa vez a vi trocar uma de minhas flechas douradas por outra de bronze, me dando muito trabalho para desfazer sua peripécia.
Estava entediada e isso representava um sério problema.

A ultima vez que a vi, foi quando se aproximou com um sorriso cheio de alegria e satisfação, dizendo que desceria até o mundo mortal e passaria uma temporada entre eles.

Não aprovei a idéia, mas ela não havia me procurado para obter uma autorização, somente para me informar de sua futura ausência.

Mal sabíamos que sua ausência seria bem mais longa do que havia planejado.



* * *

‘There's nothing you can do that can't be done
Nothing you can sing that can't be sung
Nothing you can say, but you can learn how the play the game
It's easy

There's nothing you can make that can't be made
No one you can save that can't be saved
Nothing you can do, but you can learn how to be you in time
It's easy

All you need is love
All you need is love
All you need is love, love
Love is all you need

There's nothing you can know that isn't known
Nothing you can see that isn't shown
Nowhere you can be that isn't where you're meant to be
It's easy

All you need is love
All you need is love
All you need is love, love
Love is all you need
Love is all you need
Love is all you need

...She loves you yeah, yeah, yeah!...’



(*All You Need is Love– The Beatles)



CARACTERISTICAS

Modelo: YoSD Anne
Loja: Volks

Nome: Christopher W. Wolff
Apelido: Chris
Idade: 2 anos (corpo humano)
Altura: 1,43 cm
Data de Nasc: 20/12
Olhos: Azuis
Cabelos: Pretos
Tatuagens (presentes ou futuras): Nenhuma

Uma pessoa: Minha mãe
Um sonho: Ter flechas suficientes
Um desejo: Dormir de conchinha... com ela... ;_;
Um sentimento: Amor
Uma frase: ‘O amor nasce de quase nada e morre de quase tudo’




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