EUTERPE THE MELODY
LUKA



Livro I

Ela correu entre as irmãs perto do rio, pela floresta. Viu quando as outras pularam no rio para se refrescarem, pois apesar de estarem despidas, a água sempre lhes pareceria mais que uma desculpa.

Sentou-se a margem e observou as demais brincarem, algumas das guirlandas que levavam em suas cabeças caíram, descendo rio abaixo. Dobrou os joelhos e puxou as pernas para si, abraçando-as. Gostava muito dessa forma que adotaram depois de tantos milênios.

A imagem infantil, pequeninas garotas sem sombras, correndo pelos bosques ou entre humanos, àqueles a quem deveriam auxiliar. Uma criança parecia tão mais apropriada a esses novos tempos, onde a fantasia desaparecera quase que por completo da mente e do coração dos adultos. Somente as crianças ainda acreditavam em suas lendas, em suas histórias...

Não sabia até quando e talvez, o temor da Senhora do Amor tivesse tomando forma entre todos os imortais e dentro dela.
Os humanos estavam esquecendo-se deles e sem a força da crença humana, definhariam para sempre.

Suspirou olhando os pequeninos dedos dos pés encolhidos, ficavam assim sempre que estava tensa e ultimamente essa sensação era constante. As irmãs brincavam e soltavam gritinhos infantis e estridentes enquanto se divertiam, estavam distraídas demais para sentirem o que ela sentiu: A presença de um dos imortais, a presença daquela que fora exilada!

Levantou-se depressa, olhou na direção de onde vinha à presença, depois de volta para as irmãs, sentindo um conflito interno surgir dentro de si. Não devia se afastar, pois nesses dias ficavam mais fortes apenas se juntas, afastar-se poderia significar o isolamento e perigos que não desejava experimentar. Mas aquela presença a chamava, a curiosidade havia se transformado também na impulsiva curiosidade infantil.

Passou de leve as mãos pelos joelhos sujos de terra e seguiu os instintos, pensou que não se demoraria demais, logo estaria de volta ao grupo de irmãs, que poderia se guiar pelos gritinhos agudos e que somente uma espiada não faria mal.

 Gostava da Senhora do Amor, sempre fora tão divertida, e de certo modo também inspirava os humanos... como ela.

Afastou-se sem ser notada pelas outras e se enfiou entre as árvores, percebendo os gritos e o barulho da água em movimento serem abafados pela distancia, até se calarem totalmente. Mas voltaria logo... bastava só uma espiada...



Livro II


A avistou de longe e se escondeu rapidamente atrás de uma construção na propriedade.

Lá estava a Senhora! Com outra forma, em outros tempos, mas ainda era ela. Podia sentir, podia ver pelos seus movimentos e seu sorriso ao se despedir e entrar naquela espécie de veiculo móvel.

Havia um pequenino ao seu lado e a sensação de saciedade transbordou de dentro dela, que não conseguiu desgrudar o olhar dele. Estava se alimentando do pequeno e de sua criatividade ainda despontando!

Há muito não sentia o prazer de receber alimento de um imortal ou de um filho deles. Sabia que se tivesse num corpo carnal o coração estaria pulsando violentamente e as bochechas estariam coradas como há muito tempo não coravam! Por uma fração de segundos percebeu o óbvio: precisava estar com ele!

Correu até o veiculo e entrou, antes que fechassem a porta. Sorriu feliz ao notar que o pequeno não percebera ainda sua presença, mas o sorriso sumiu ao ver o olhar desconfiado da Senhora, do lado dele.

O olhar deixou claro que ela sentiu alguma coisa, talvez não pudesse imaginar claramente quem era, mas percebeu que havia uma terceira presença no banco de trás.
Prendeu a respiração, como se respirasse, e arregalou os olhos para a Senhora, os segundos pareceram horas até que ela desviou os olhos e pediu para o homem conduzir o veiculo.

A criança relaxou ao lado do pequeno, ainda com a guirlanda na cabeça pensou em suas irmãs... mas a companhia dele era tão confortante e lhe dava tanto prazer sentir seus pensamentos criativos, embora ainda imaturos, que achou que não faria mal permanecer ao seu lado mais um pouco...

...Logo voltaria para junto das outras.

Àquela distância, mal podia senti-las.



Livro III


Passou dois dias correndo pelo quintal gramado da casa. Perdeu completamente a noção de tempo ou espaço! Há muito não se sentia tão bem, tão útil!

Parecia que ninguém ali sabia de sua presença, o que lhe deixaria segura.

Parou por um momento ouvido com suas orelhinhas pontudas o som abafado de passos, vindo de dentro do sobrado. Correu para o interior da casa, pois sabia que se tratava do pequeno, ele caminhava com passos curtos ainda, inseguros. Típicos de uma criança humana de poucos anos.

Na sala, ela circundou o piano e ficou ao lado do banco, observando em silêncio, mas com um sorriso, o pequeno se sentar e dedilhar as teclas. Puxou o ar sentindo o corpo mais leve, quase flutuando, fechando os olhos para se concentrar em dar a ele o que precisava para tocar... Inspiração.

O pequeno se divertia enquanto brincava de tocar o piano e ela sabia que não havia nada mais maravilhoso para a sua existência que um mortal que cria e se diverte com isso! Era por esse motivo que existia!

Deixou-se absorver pela musica, ainda que sentindo as notas erradas, e pelo prazer do momento. Mergulhou tão fundo em seus pensamentos e na satisfação pessoal, que demorou alguns segundos para notar que a musica parou...

Abriu os olhos e tomou um susto ao ver que o pequeno olhava fixamente para ela, num misto de surpresa e curiosidade.

Cometeu um erro! Deixou-se ser vista por um humano, não! Deixou-se ser vista por um meio imortal!

-- Queim... queim qui é você? – perguntou o pequeno, tão arregalado quanto ela.

-- ...Eu... eu é... uma... musa... – respondeu ela, na mesma linguagem infantil que ele, pois aparentemente possuíam a mesma idade humana, naquele corpo atual.

-- Quié musa? – sorriu, ainda mais curioso, porém feliz em ver que ela falava como ele.

-- É... é... – encolheu os ombros, como explicar o que ela era? – Eu... faizi cê faizi musiquinha aí! Bem feitinha!

O pequeno sorriu para ela que pôde notar a sinceridade do sorriso. Ele sabia que não era mentira, nem sonho, nem alucinação. O seu lado imortal podia sentir a verdade em suas palavras e em sua presença. Ela sorriu de volta, estava feliz em poder se comunicar com um humano depois de tantas eras!

-- Cê juda eu faizi musiquinha beim feitinha?

-- Eu juda! – Respondeu praticamente por cima da frase dele, empolgada.

-- I ai meu papaim goista maisi inda di eu?

Ela fez que sim depressa, fosse o que isso significasse.

O pequeno sorriu ainda mais, nem mesmo se importando com o fato dela estar nua. Eram apenas crianças... não havia esse tipo de censura ou limites entre os dois.

-- Taum... cê fica cum eu pa sempe! – ele sorriu feliz.

Ela sabia que havia algo naquela frase que a prenderia ao seu lado. Havia alguma coisa naquele pequeno imortal que a convenceu no mesmo instante de que era exatamente assim como ele disse: ficaria ao seu lado para sempre.

Por um momento pensou em deixar o sobrado e procurar suas irmãs... algo estava errado com aquela frase, mesmo que o pequeno não se desse conta disso...

...Mas ele começou a tocar novamente e sem se importar momentaneamente com o que acabara de ouvir da parte dele, ela estava sorrindo e dançando em volta do piano.

...Ela era sua inspiração...


...Ela era sua Musa.



* * *



'...I was a little girl alone in my little world
who dreamed of a little home for me
I played pretend between the trees,
and fed my houseguests bark and leaves,
and laughed in my pretty bed of green

I had a dream
That I could fly from the highest swing
I had a dream...

Long walks in the dark
through woods grown behind the park,
I asked God who I'm supposed to be
The stars smiled down on me,
God answered in silent reverie
I said a prayer and fell asleep

I had a dream
That I could fly from the highest tree
I had a dream...

Now I'm old and feeling grey
I don't know what's left to say
about this life I'm willing to leave
I lived it full and I lived it well,
there's many tales I've lived to tell

I'm ready now, I'm ready now,

I'm ready now to fly from the highest wing...

...I had a dream...'*

*(Dream - Priscilla Ahn)



CARACTERISTICAS

Modelo: SD Saki
Loja: Volks

Nome: Luka
Apelido: Lu
Idade: Aparentemente 19 anos
Altura: 1,70 cm
Data de Nasc: 30/07
Olhos: verdes
Cabelos: Louros
Tatuagens (presentes ou futuras): Nenhuma

Uma pessoa:
Johann e Reiner...
Um sonho: ...
Um desejo: ....
Um sentimento: ...
Uma frase: ...



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