HEPHAESTUS THE RAW
MÍRON


Livro I

Sentia os risos em suas costas, mesmo quando o silêncio era sólido como diamente podia ouvir o ranger de seus dentes, a palpitação de seus pensamentos debochando do que se passava embaixo de seu nariz, sobre seu leito conjugal... Como se ele já não fosse motivo de galhofa desde o nascimento, desde que sua 'querida' progênitora achou por bem atirá-lo do alto de seu lar imortal à terra humana.

Quando essa o recompensou, após tanto tempo, por seu péssimo comportamento materno devia ter imagino que o belo presente não seria apenas por seu amor duvidoso. Havia algo de errado com presentes vindo da mulher que lhe emprestara o útero.


Sempre havia.


A mais bela, a desejada por todos, nascida sem mácula dos membros decepeados do tempo unidos ao mar. E das alvas espuma, ela!

Como não aceitar, quando todos os demais imortais foram recusados pela senhora do Amor, pela sua personificação em forma feminina? Havia maior agrado que ter sua mão em casamento? Unir-se a desejada por todos e que desde então seria apenas dele?

Sempre havia algo de errado com os presentes de sua nada maternal progênitora. E daquela vez, somente daquela vez, esqueceu-se disso.

Talvez pela beleza da noiva, talvez por sua voz, seu cheiro, seus encantos... o sorriso que dedicava a ele quando admirava algum de seus trabalhos...

Ela amava os mais brilhantes, não por seu valor, eles eram imortais e poderosos, jóias não tinham sobre tais o fascinio ecônomico que têm para os humanos. O que ela gostava era da beleza cristalina, do modo como reluziam ao sol, como os seus olhos...

Seu sorriso podia transformar qualquer sábio em tolo e seu lamento derreteria o mais gélido coração titânico.

Ela era dele e parecia apreciar isso. Surpreendentemente.


E agora todos riam.


Risos silênciosos, gargalhadas em olhares torpes. Desde o truque com o trono eles guardavam suas mágoas e agora sabiam o que se passava em seu leito conjugal. E riam dele.

Por inveja, despeito e por amor a ela. Debochavam quietos.


...Ela mantinha o sorriso faiscante nos lábios quando ele chegou aquela noite. Não conseguia desvendar se sua boca ecoava as demais ou se era sincera como nos primeiros anos.

E mesmo assim o pior dos risos a encarar era o de seu Amor.


***


Livro II


Vê-los contorcerem-se dentro da tela resistente até mesmo ao Senhor dos Raios, seu pai, não lhe dava o prazer que imaginara sentir no dia que os apanhesse em vexatório flagrante.

Talvez pelas risadas abafadas de seus demais irmãos, ou pelo olhar de desprezo de sua mãe não somente aos dois na cama, mas também a ele, como se repetisse o quanto era incompetente para segurar até mesmo aquele futil presente que lhe fora dada como noiva.

Ouvia um dos meio irmãos comentar gracejos ao outro. Sol e Mensageiro deliciavam-se com a nudez do casal de amantes, presos pela rede sobre a cama, sobre como trocariam com prazer de lugar com o homem adúltero.

Seu irmão, a Guerra. E sua esposa o Amor.

Esbravejou contra os meio irmãos pára que parassem com os gracejos desrespeitosos, como se algum dia tivesse obtido algum tipo de respeito deles. Apenas o Prazer lhe tinha algum carinho e mesmo assim o enganara, certa vez, a pedido do pai...

Fora promovido ao Bobo da família sem nem ao menos possuir tanto senso de humor para tal.

Olhou para a esposa, que encolhida sob o corpo do amante não lhe dirigia olhar, talvez por ódio, vergonha... não esperava que ela sentisse culpa. Não desejava que ela sentisse culpa. Precisava cultivar o ódio antes que ela chorasse triste e lhe implorasse perdão, pois sabia que lhe daria de bom grado e esqueceria a traição em poucos beijos.

Mas não dessa vez, não depois de deitar-se com a desprezível Guerra em sua cama!

Não seria mais motivo de risos após esse dia.

Ouviu o pai setenciar a punição do casal antes que voasse sobre os irmão, Sol e Mensageiro, que pareciam não levar a sério suas palavras para que parassem com os comentários luxuriosos.

O Senhor dos Raios perguntou o que ele desejava, o que queria como punição ao flagrante adultério. Ele pensou um pouco e finalmente pode ter algum silêncio da parte dos irmão, a curiosidade era maior que a diversão as suas custas.

Olhou uma última vez pra esposa, que não se movia, nem lhe emprestava um pestanejar... Mal sabia que era somente assim que ela o trataria a partir dalí.

Porém, naquele momento, não queria premeditar o futuro, apenas dar vazão a vingança pela vergonha e traição. Então ele finalmente respondeu:


-- Que ela renuncie ao seu amor por ele. E que nunca mais o veja.


Um longo e baixo suspiro foi a resposta do Amor a tal frase. A Guerra atirava contra ele maldições e palavras de ódio. Sabia que ele preferia descer ao Submundo e roubar o trono de seu Soberano a ter de abrir mão dela, o Amor.


Como não enlouquecer de Amor? Como abrir mão dela, desse sentimento?


Agora a Guerra saberia o que ele estava sentindo desde que descobriu seus encontros furtivos com sua esposa.


...Mas ele ainda não havia terminado, queria mais, queria machuca-la e se não pudesse ser com suas ferramentas de forja, seria com suas ações. Pediu por último:


-- E desejo me divorciar dela. Não a desejo mais. Quero as Graças como esposas.


Dessa vez, finalmente conseguiu alguma reação que não risos ou curiosidade maldosa dos irmãos, conseguia ler a supresa em seus olhos.


Menos da Guerra. Esse não parou de ladrar sobre o que faria com seu corpo, com sua vida imortal, o que era previsível. Mas do Amor... nem mesmo um suspiro dessa vez.


E nem depois, nem depois...


O traído e vingativo Senhor das Forjas nunca mais contemplou um único olhar do Amor, nem ouviu sua voz...

O Amor não mais estaria presente em sua vida.


***



Livro III

Vê-la sofrer, por mãos mortais o destruia... há tantos milênios não sentia o calor de seu sorriso, o toque de suas mãos em seus ombros enrijecidos, seus dedos macios entrelaçando-se carinhosos nos seus, calosos e secos.

Ela nunca reclamou, apenas sorria e beijava-lhe docemente os olhos, tão orgulhosa do trabalho de suas forjas!


Agora não haviam marido, amantes... nem ao menos olhares desejosos para ela. Somente trevas e escuridão. Dor.


O Amor foi esquecido, como se esqueceu dele.


...Ele sofria por ela e com ela.



***


Livro IV


Eras demais!


Havia uma lacuna em seu ser, tantos anos ausente! e escondendo e tentando evitar se envolver novamente...


...Mas o amor ainda estava alí, despertando após tantos incontáveis séculos! Com uma força desnatural, colossal. Derrubando seus contra argumentos, seu bom senso.

Ninguém a amava como ele, ninguém a castigara e se castigara tanto por ciumes. Ninguém desejava cuidar mais dela do que o próprio marido.


Voltaria o e reinvindicaria novamente seu papel. Era seu primeiro amor. Seu marido desde o principio.


...E voltaria a ser. Ele tinha força, teimosia e ferocidade suficiênte para tê-la de volta.



O amor é eterno. O Amor é dele.




* * *



"The thundering waves are calling me home to you
The pounding sea is calling me home to you

On a dark new year's night
On the west coast of Clare
I heard your voice singing
Your eyes danced the song
Your hands played the tune
T'was a vision before me.

..

We left the music behind and the dance carried on
As we stole away to the seashore
We smelt the brine, felt the wind in our hair
And with sadness you paused.

..

Suddenly I knew that you'd have to go
My world was not yours, your eyes told me so
Yet it was there I felt the crossroads of time
And I wondered why.

..

As we cast our gaze on the tumbling sea
A vision came o'er me
Of thundering hooves and beating wings
In clouds above...



As you turned to go I heard you call my name,
You were like a bird in a cage spreading its wings to fly
"The old ways are lost," you sang as you flew


And I wondered why...’*


*(The Old Ways – Loreena McKennitt)



CARACTERISTICAS

Modelo: Sard Grey-Velvet
Loja: Soom

Nome: Míron Argyris
Apelido: -
Idade: 29 anos (em idade humana)
Altura: 1,78 cm
Data de Nasc: 06/05
Olhos: Amarelos
Cabelos: Pretos
Tatuagens (presentes ou futuras): -

Uma pessoa:
-
Um sonho: -
Um desejo: -
Um sentimento: desamparo
Uma frase: "É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas e anima o gênio."



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