BLAZE
ROWAN BLACKFIRE

Livro I

Odiava quando o irmão o puxava pela manga da blusa com aquela insistência chata para que fossem brincar... Eca!
Brincar do que? Aquilo era um exercício inútil que não levava a lugar algum, apenas cansava... e cansava... e... poxa! Que sono...
Por que o irmão não parava de gritar em seu ouvido para que fossem brincar?

-- Pá que? – Balbuciou com suas mal articuladas palavras infantis e olhar de peixe morto para o outro que ficava indignado com sua pergunta. Mais parecia que ele havia matado alguém...

-- Pá gente... bincá, ué! Ce é tão besta!

Deu de ombros com indiferença e voltou a beber seu leite insosso sem açúcar...

-- Si sou besta, num pecisa bincá cumigo.

O irmão saiu fungando de raiva, as bochechas rosadas com a negação do pequeno em ir se divertir com ele.
Continuou bebendo seu leite insosso, olhando fixo para dentro da xícara em suas mãozinhas e imaginando que se talvez, se esforçando um pouco mais em usar seu universo fictício, o sabor adocicado lhe subiria a mente e agradaria seu paladar...

A vida era muito chata, suspirou depois de concluir em sua cabecinha pueril.

E lá estava seu irmão de volta, com um sorriso de orelha a orelha como se o pequeno desentendimento nunca houvesse ocorrido:

-- Vô ti dá uma coisa beeeem gostosa pá bebe, mas num pode contá pá ninguém!

Colocou o indicador sobre os lábios e fez ‘shhhhhhhhhhh’ pra ele que concordou sem muito animo pra abrir a boca e argumentar. Que fosse. O irmão era o mais velho, ele levaria a culpa.

O pequeno olhou pro copo duas vezes maior que a xícara que segurava e ficou alguns instantes tentando descobrir porque o suco que o irmão lhe levara estava tão grosso...
Olhou para ele que a sua frente lhe empurrava o copo até a boca, dizendo enquanto observava se a babá não estava de olho:

-- Bebe! Bebe pá gente bincá!

Ele bebeu em três goladas. Poxa! Estava mesmo muito grosso... aquilo não era suco, era uma espécie de creme doce... Muito doce! E grosso!

Sentiu os dedinhos formigarem, dos pés a cabeça tudo parecia se arrepiar... piscou várias vezes ao perceber que o irmão dobrava a sua frente. Agora havia dois lhe sorrindo e chamando:

-- Qué bincá agora?

O pequenino sorriu largo, feito um gato para o irmão mais velho. Brincar??? Ele queria mais!

Ele sentia que poderia correr toda a extensão da Ilha onde moravam... ele poderia chegar a nado ao continente... ele poderia ser o maior soldado do exército...

Saltou da mesa ainda com o sorriso congelado no rosto:

-- Vamu bincá!



Livro II

Estava sentado com o irmão sob uma grande e frondosa árvore no quintal... se recuperavam de um porre que tomaram no dia anterior... O pai não lhes dirigia a palavra desde então...

Dane-se, pensou consigo, mas não ousou dizer alto. O irmão acharia uma blasfêmia falar assim do pai... embora concordasse que nada havia de mais normal do que adolescente tomando o primeiro porre.

-- Ele pegou pesado. – Resmungou o irmão entendido sobre a grama verde, com um pano úmido sobre a testa, olhando fixamente para as folhas verdes balançando acima deles.

Uma brisa suave jogou sobre seu rosto fios do cabelo prateado enquanto ele respondia:

-- Pesado? Eu só parei de beber porque o Tekhel entrou fazendo escândalo. Eu beberia até explodir!

O irmão virou o rosto para ele, num ar de repreensão:

-- É muito trabalho para uma pirraça.

O rapaz riu divertido. Concordava com o irmão, mas devia confessar que adorava ver o pai irritado. Era assim que aprendia, era assim que descobria como um grande homem deveria se comportar.

-- Como acha que ela era? – A pergunta do irmão veio sem mais, mas ele sabia sobre o que se tratava.

-- Acha que ela gostaria de quem estamos nos tornando?

Revirou os olhos, odiava aquele assunto, ele o enfadava. Levantou-se e atirou sobre o irmão um punhado de folhas úmidas:

-- Dane-se.

Não deu atenção as reclamações do irmão que lhe dava uma bronca, dizendo o quanto seu comportamento estava regredindo a fase infantil. Riu com uma crescente maldade.
Não importava quem ela era, quais os seus motivos. Havia somente os dois.

Ela os havia deixado assim.



Livro III

Depois do ultimo movimento, ao vê-lo descer daquele grifo imponente, com leveza nos pés e expressão altiva e sagaz, soube de uma vez que era como ele que deveria ser. Já não importava a maneira como vinham se tratando desde que se encontraram há muitos anos...

O elfo de cabelos louros, mecha vermelha, olhos vermelhos com aquelas pupilas em fenda. Tudo lhe emprestava um ar tão ousado... tão... superior...

Ele o amava. Desde muito tempo. Para sempre.

Sua vida seria decida em cima do que aquele elfo lhe ordenasse. Ele seria para sempre seu mentor, seu mestre, seu herói.



Livro IV

Berrou a plenos pulmões que ninguém naquela sala poderia proteger tais terras sem a sua presença, sem a presença do ser que mais amaria em sua vida...
Mas ninguém lhe dava ouvidos... sua fúria crescendo, seus punhos crispando e soltando pequenas labaredas ardentes...

Viu o irmão olhar para o elfo cheio de mágoa e ressentimento... Já não era tão fácil visualizar a vida que há tão pouco tempo tiveram. Os tempos em que dividiram o mesmo leito.

Ele não lhe disse nenhuma palavra, nem mesmo um olhar de agradecimento, somente virou as costas e subiu pela rampa, até alcançar a nau que o levaria, que o tiraria talvez para sempre do lado dele e de seu irmão teimoso.

As coisas jamais seriam como antes.

* * *

“ ‘Lie awake in bed at night
And think about your life
Do you want to be different?
Try to let go of the truth
The battles of your youth
'Cause this is just a game

It's a beautiful lie
It's a perfect deny
Such a beautiful lie to believe in
So beautiful, beautiful that makes me

It's time to forget about the past
To wash away what happened last
Hide behind an empty face
Don't have too much to say
That this is just a game

It's a beautiful lie
It's a perfect deny
Such a beautiful lie to believe in
So beautiful, beautiful that makes me

Everyone's looking at me
I'm running around in circles, babe
A quiet desperation's building higher
I've got to remember this is just a game

So beautiful, beautiful
So beautiful, beautiful, it's a beautiful lie
So beautiful, beautiful, it's a beautiful lie
So beautiful, beautiful, it's a beautiful lie
So beautiful, beautiful lie

It's a beautiful lie
It's a perfect deny
Such a beautiful lie to believe in
So beautiful, beautiful that makes me

* (Beautiful Lie - 30 Seconds for Mars)

* * *


CARACTERÍSTICAS

Modelo: Edria Haf Eye Mod
Loja: LLT

Nome: Rowan Blackfire
Apelido: Nenhum em especial
Idade: 65 anos, aparentemente 20 e poucos. XD
Altura: 1,85 cm
Data de Nasc: 25/01
Olhos: Vermelhos com pupilas em fenda
Cabelos: No momento prateados, médio e lisos
Tatuagens (presentes ou futuras): Um tribal embaixo de cada olho

Uma pessoa: Sei lá... eu?
Um sonho: Cair numa piscina cheiiia de chantilly, sorvete, cereja e paçoca! /o/
Um desejo: To de boa, melhor não desejar nada do que esperar coisas demais...
Um sentimento: Indiferença
Uma frase: ‘Ficaríamos envergonhados de nossas melhores intenções se o mundo soubesse o que está por trás delas.’




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