FJODOR NEVSKIY


Nome Completo: Fjodor Semyonovich Nevskiy
Apelido: Fedya
Nascimento: 25 de Junho de 1914
Altura: 1,30m
Signo: Cancêr
Local de nascimento: Moscou, Rússia
Raça: Humano
Sexo: Masculino

Personalidade: Fjodor é uma criança gentil, tímida e um tanto medrosa. Sempre se sentiu intimidado por pessoas mais velhas, de personalidade mais forte e mais exigentes como o próprio pai, preferindo a presença e os cuidados da mãe. Dificilmente saia de casa e sempre foi de ter poucos amigos por causa da própria timidez – além de ser o tipo de criança que algumas outras gostam de tirar vantagem.

Sua estranha amizade com Katerina começou quando a garota roubou-lhe a carteira e o fez cair ao chão. O que começara como temor logo virou afeto, e Katerina acabou se tornando sua primeira amiga de verdade, muitas vezes sendo capaz de tirá-lo de sua zona de conforto e levá-lo em pequenas aventuras longe de casa. Apesar de rapidamente desenvolver uma paixonite pela menina, sua timidez o fez declarar-se apenas após a adolescência.


***

FJODOR, 11 ANOS



       Seus dedos estavam muito bem apertados no broche que segurava o mano sobre seus ombros. Ainda não fazia tanto frio, mas ele sentia os cabelos em sua nuca arrepiarem-se. Por mais que refletisse, não conseguia descobrir porque diabos havia sido levado ali, senão por alguma lição cruel que o pai queria lhe ensinar. Mas ele nem veio junto comigo, pensou.  Como posso aprender alguma coisa sem nem saber quem poderia me ensinar? Estava tão longe do conforto de sua casa, se sua lareira quente e do colo macio de sua mãe, dos criados que o tratavam tão bem. Era tudo tão diferente.

       Estava cercado de pessoas as quais nunca vira na vida, sentindo-se como um animal acuado. Elas o observavam, com olhos úmidos e cansados, e ele logo descobriu que se sentia menos apavorado se não olhasse diretamente para eles. Antes de sair, sua mãe havia dito que ele não precisava ter medo de nada, enquanto ele agarrava-se a suas saias, recusando-se a cruzar a porta. Mas era apenas um garoto de onze anos, e não tinha metade da bravura do pai, aquele homem tão grande, alentado e ríspido. No entanto, sua recusas e lágrimas de nada lhe adiantaram; fora quase arrastado casa afora, com a mãe sorrindo-lhe e acenando-lhe, e colocado dentro do carro a caminho de sabia-lá-onde.

       Tinham aconselhado-o a vestir-se com roupas simples, e deixar todo o ouro em casa para que menos mal pudesse lhe acontecer. Aquilo quase o fez chorar de novo. Não por ter de sair com pouco dinheiro, mas sim por saber que, como bem desconfiava, algum mal iria certamente lhe acontecer. No entanto, descobrira que seus esforços para vestir-se informalmente de nada lhe haviam servido, e sua noção de simplicidade o havia traído. Vestiu-se com camisa e calças comuns, de algodão e linho, mas cobriu-se também com um casaco grosso de botões de prata que havia ganhado de presente de uma tia e um manto de pele de coelho negro e cinza, o qual dificilmente deixava em casa quando saía para um local seguro na companhia da família. Negro, cinza e branco servirão para não chamar a atenção, pensou. Mas havia se enganado tão miseravelmente que sentia-se mais estúpido do que envergonhado. As pessoas que o viam passar, acompanhado por apenas dois homens que ele mal conhecia, vestiam-se de algodão grosseiro gasto, com cobertores de lã manchados sobre seus magros ombros ou aquecendo-se por detrás de janelas de madeira que dificilmente afastavam completamente o frio.

       Eles sabem que eu não sou daqui, e sabem que estou com medo. Crianças maltrapilhas corriam em volta deles, berrando-lhe por pedaços de pão e moedas, ou um pequeno botão de seu casaco. Ele encolheu-se dentro de seu manto e engoliu um soluço quando um deles se aproximou com um pedaço de pau e bateu-lhe sobre o ombro, mais numa brincadeira do que com a intenção de agredi-lo, algo que a Fjodor, no entanto, não pareceu nada divertido. Um dos homens que o acompanhava, um homem alto e esguio com os cabelos castanho avermelhados rareando no topo de sua cabeça, afastou a criança e mandou-a voltar para a casa. Depois, aproximou-se do garoto e dirigiu-lhe um olhar cuja intenção poderia até ser acalmá-lo, mas apenas o assustou ainda mais.

       -Seu pai o mandou até aqui para ver com que tipo de coisa pode vir a trabalhar no futuro, Senhor. – disse ele, com severidade.

       Meu pai mandou-me aqui para ver se eu podia me tornar um homem, e estou falhando vergonhosamente. Era a única explicação que poderia ter vindo à sua cabeça naquele instante, e ele soltou um suspiro longo, com uma expressão tristonha no rosto. Só tinha onze anos, ainda demoraria até acabar os estudos, e ele sempre acreditou que o pai viveria até além de seus cem anos, com a saúde de um touro. Talvez o próprio Fjodor morresse antes dele, se fosse obrigado a fazer esses passeios assustadores mais freqüentemente. Mas se ousasse dizer isso em voz alta, poderia ficar de castigo trancado em seu quarto por um dia inteiro. Agora, até preferiria.

       -Quanto tempo até voltarmos para casa? – perguntou ele, tentando não soar desesperado como estava. Não tinha nada contra aquele homem, e já o via visto algumas vezes na companhia do pai; lembrava-se que o chamavam de Lev, ou algo parecido.

       -Temos que andar por toda a vizinhança, Senhor.

       Fjodor estremeceu.

       -E quão grande é a vizinhança?

       O homem respondeu-lhe com um encolher de ombros. Aqueles lugares eram cheios de ruelas, caminhos escondidos, casas construídas sobre casas e crescia a cada dia, quanto mais gente viesse para a cidade. Podiam muito bem não querer contar-lhe o tamanho que tinha, como podiam nem sequer saber ao certo. Isso não servia para acalmá-lo. Tentou encolher-se mais como se sentisse que estaria mais seguro daquela maneira, quase puxando o manto sobre a cabeça. Quando se assustava a noite, enfiar-se sob as cobertas ajudava; não custava tentar e ver se o manto o protegeria da mesma maneira.

       No entanto, de repente, sentiu um empurrão em suas costas e um leve puxão em seu manto, e logo viu o chão se aproximar e bater contra seu rosto. O gosto de terra entrou em sua boca, terra suja, e ele soltou um soluço e um gemido baixos antes de apoiar-se nos braços para tentar se levantar. Lev e o outro gritavam para algo que ele via apenas como uma mancha verde e laranja, enquanto ele limpava a terra do rosto e cuspia, puxando a manga da camisa para limpar os olhos. Sabia que alguma coisa aconteceria. Tinha toda a certeza disso, e agora ali estava a prova. Um dos homens havia ido atrás de quem quer que o tivesse atacado, enquanto Lev ajudou-o a colocar-se de pé e tirar a sujeira de seu manto. Foi quando olhou as mãos e viu uma mancha vermelha em uma delas que sentiu a dor no lado esquerdo de seu rosto. Cortei-me, soube de imediato. Cortei-me em algo imundo, no chão sujo, e estou sangrando. Sempre que se machucava, a mãe o levava para lavar a ferida e fazer-lhe um curativo, que selava com um beijo leve. Mas a mãe não estava ali.

       -O que houve? – perguntou ele, reunindo toda a força que possuía para não começar a chorar ali mesmo. – Quem me derrubou?

       -Uma garota maltrapilha, senhor. Provavelmente quis roubá-lo, e como era rápida a cadela. Pyotr foi atrás dela, não se preocupe.

       Roubar-me. O pensamento fê-lo colocar a mão no bolso do casaco, apenas para descobrir que a carteira havia sumido. Eu sabia que alguma coisa aconteceria.

       -Ela me roubou mesmo. – soltou um suspiro longo. – Quero ir pra casa.

       -Senhor...

       -Quero ir pra casa. Por favor... – choramingou, baixando a cabeça. A ferida em seu rosto começava a latejar, e ele limpou-a futilmente com a manga da camisa. No entanto, sua súplica de nada adiantou.

       -O Senhor seu pai nos deixou ordens.

       E vocês têm medo dele tanto quanto eu, quis responder. Mas segurou a língua e suspirou, puxou o manto mais para cima e seguiu caminho a passos rápido. Quando mais rápido atravessarmos, mas cedo vou pra casa. Continuou andando, esfregando o rosto vez e outra, mesmo sabendo que não devia fazê-lo. Abaixou a cabeça durante o resto do caminho, protegendo-se por dentro de sua pele de coelho, não olhando para nada além do chão e para ninguém. Já havia sido ruim o suficiente mostrar-se tão amedrontado na frente de todos, ser derrubado por uma garota e roubado era simplesmente humilhante. Não iria nem querer saber o que o pai acharia disso. Pouco tempo depois, o homem chamado Pyotr voltou, sem sucesso.

       -Era ligeira como uma rata. Se enfiou em algum buraco.

       Pelo menos não fui o único que ela conseguiu tapear.

       -Podemos ir pra casa? – perguntou ele mais uma vez, reunindo suas últimas esperanças. Foi, novamente, Lev quem deu-lhe a resposta.

       -Apenas mais dez minutos, senhor.

       E ele fez como prometido. Os últimos dez minutos se passaram em absoluto silêncio, com Fjodor não enxergando mais do que seus pés sobre a terra batida. Nunca havia se sentido tão aliviado de entrar em um carro e saber que seguiam para casa, e nunca havia cruzado a porta de sua casa tão rápido para correr até a mãe. Ela recebeu-o em seu quarto com um sorriso e ajoelhou-se para depositar-lhe um beijo na testa.

       -Foi assustador, mamãe. Me derrubaram, e levaram a minha carteira, aquela carteira que tinha me dado... – dizia ele entre soluços e fungadas, com o nariz escorrendo e os olhos avermelhando. Dentro do quarto sentia poder chorar à vontade, quando o senhor seu pai não se encontrava.

       -Tudo bem, Fedya. – ela confortou-o com um cafuné em seus espessos cabelos negros. – Venha cá, vamos cuidar desse machucado, a carteira podemos comprar outra...

       Ele concordou com a cabeça, enxugando as lágrimas, e deixou o manto e o casaco sobre a cama. Tudo o que queria era um banho quente, não sentir mais dor e poder recolher-se à sua cama quentinha, com a mãe a afagar-lhe a cabeça e cantando para ele, sem nunca mais ter de ir até aquele lugar assustador com suas garotas assustadoras. 


***

FJODOR,11 ANOS




       Sua mão sempre ia automaticamente até o curativo em sua bochecha. Ele coçava, e por isso sua mãe havia coberto-o todo com um pedaço de gaze para que Fjodor não mexesse e acabasse abrindo-o de novo, correndo para ela com os olhos molhados. Sempre que tocava a gaze, lembrava-se que não devia coçar e baixava a mão, frustrado. O jantar havia acabado de ser servido, e um pequeno peixe prateado olhava-o de seu prato, quente e pronto para ser consumido. A carne é boa, mas as espinhas machucam.

       -Está sem fome, Fjodor? – perguntou o pai, que já se ocupava com o seu, virando os olhos cinzentos para ele.

       -Não, senhor... – ele balançou a cabeça, e pegou seus talheres para começar a tirar a pele. Puxou a carne com o maior cuidado que conseguia, prendendo a respiração enquanto as espinhas deslizavam para fora, uma por uma... até uma quebrar-se e ficar no meio da carne. Segurou um suspiro, e continuou seu processo, evitando sempre encontrar os olhos do pai. A mãe sentava-se ao seu lado, e inclinou-se para ele.

       -Eu ajudo... – sorriu ela, procurando a espinha perdida.

        Fora o pai quem soltou um sonoro suspiro.

       -O garoto sabe comer um peixe sozinho, Karyna. – O garoto tem que se virar sem a mãe, foi o que Fjodor ouviu ele dizer. A mãe não se importou.

       -Pode se machucar se engolir uma espinha, vou só tirá-la. Aqui, pronto. – ela sorriu e passou os dedos pelos cabelos do garoto. Fjodor sorriu para ela, mas sabia que o pai não ficava nada satisfeito. Mais de uma vez ouviu-os discutindo como ela ‘deveria parar de tratá-lo como um bebê’, pois ‘o rapaz já tinha quase doze anos’. Ela respondia que ele era ainda uma criança, e seu único filho. E ele dizia como o garoto era medroso e que ela não poderia mantê-lo debaixo da asa por muito tempo. Ele terá que aprender a se virar sozinho. Essas palavras sempre repetiam-se na cabeça de Fjodor, e ele sempre tentava afastá-las com a proteção de suas cobertas. Talvez eu nunca seja um adulto, mesmo.

       Comeu seu peixe vagarosamente, mastigando e engolindo, servindo-se de batatas e folhas verdes. Ao terminar, limpou-se como havia aprendido e empurrou o prato com os talheres. Por mais medroso que fosse, tinha um pouco de orgulho por ter facilidade em aprender as coisas. Exceto como ser menos covarde. O pensamento lhe feria o já abatido ego que possuía.

       -Lev e Pyotr ainda estão atrás da ladra. – iniciou ele, em tom severo. – Como está o machucado?

       -Não dói, senhor. – Ainda dói e pulsa, mas não vou dizer-lhe isso.

       -Bom. Ainda não a encontraram, mas conseguiram arrancar alguma coisa da língua do povo. É a filha ladra de um bêbado desempregado. – soltou um riso que mais pareceu um suspiro.

       Fjodor reuniu toda sua coragem, que não era muita.

       -Pai... – começou ele.

       -Hm?

       -Não seria melhor deixar isso para lá? – as refeições em casa fizeram-lhe lembrar dos rostos magros que o olharam, e pensar no quanto aquelas pessoas estariam passando fome. O dinheiro que haviam roubado não iria sequer fazer falta. Se a garota o usasse para comprar comida, ele até poderia esquecer a queda e a ferida, ainda mais para não ter de arriscar-se a encontrá-la novamente.         O pai olhou-o em um momento de silêncio solene.

       -Deixar para lá. – pressionou os dedos nas têmporas. – Tinha apenas dinheiro naquela carteira, Fjodor?

       Como pude me esquecer disso.

       -Não... – os documentos, mesmo que não todos, haviam sido levados junto.

       -E o que tinha lá é importante e tem o seu nome, não tem?

       -Tem... – Fjodor suspirou. Como podia ser tão estúpido?

       -Portanto, não há discussão. – ele tocou o sino para que os empregados entrassem para recolher a comida. Fjodor levantou-se, desanimado.

       -Não vou querer sobremesa... – disse ele, e tomou seu caminho até a porta, saindo do salão de jantar e indo para as escadas que levavam ao seu quarto.


***



Doll information:
Headmold:Volks SDMidi F-32
Body Type: Volks SDMidi Boy Body
Skin Type: Normal Skin
Make up por: Anna G.
Data de chegada: 23 de Julho de 2015





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