KATERINA CHESNOKOVA


Nome Completo: Katerina Ivanovna Chesnokova
Apelido: Katya
Nascimento: 06 de Dezembro de 1917
Altura: 1,36m
Signo: Sagitário
Local de nascimento: Moscou, Rússia
Raça: Humana
Sexo: Feminino

Personalidade: Corajosa, geniosa e independente, Katerina aprendeu a se virar sozinha desde muito pequena. Filha de pai alcóolatra e mãe que abandonara a família, fazia uso de seu carisma e inteligência para sobreviver e conseguir manter a si mesma e a única família que lhe restava. Sempre manteve a cabeça erguida, recusando-se a sentir pena de si mesma. Sempre fora acostumada a brigar com garotos mais velhos de seu bairro, e Fjodor foi o primeiro que ela realmente conseguiu chamar de amigo quando ambos foram capazes se entender após um primeiro encontro incomum. Quando encontra um amigo verdadeiro, torna-se carinhosa e solícita, jamais invejando outros em situaç§es mais favoráveis. ╔ carinhosa, curiosa e esforçada.




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KATERINA, 8 ANOS



       Dedilhou por dentro do couro, contando quanto poderia haver ali dentro. Sorriu ao concluir que era mais do que o suficiente, orgulhosa por ter derrubado sozinha aquele fidalguinho covarde que, àquele ponto, deveria estar chorando abraçado às saias de seda da mãe enquanto contava para o pai como uma ladra o havia atacado. Igualdade uma ova, pensou ela. Os nobres haviam caído, mas esses filhinhos de bandidos enriquecidos e de políticos gorduchos ainda podiam ser encontrados aqui e ali. E como serviam de alvos fáceis para qualquer um que tivesse os pés rápidos e conhecesse todos os esconderijos do bairro...

       Prendeu a respiração para escutar se havia alguém a seguindo, e sorriu sozinha ao ter certeza de que havia escapado de seu perseguidor. Enfiou a carteira roubada no bolso por debaixo da saia, ajeitou uma mecha dos cheios caracóis vermelhos por detrás da orelha, e virou a esquina do beco na ponta dos pés, tirando os chinelos para não fazer barulho. Depois, caminhou com a maior naturalidade do mundo até enfiar-se num casarão de madeira e escalar a estreita escada que levava ao pequeno aposento de um único cômodo que chamava de casa. O cubículo, coberto por um papel de parede amarelo desgastado, era consumido totalmente por apenas uma cama estreita, um sofá velho e uma mesa de madeira. Num canto, ainda havia restos de entulho como pedaços de madeira e grandes tijolos de argila que o pai nunca havia se incomodado em jogar fora. A janela precisava de alguma força para ser aberta, e o banheiro... eram obrigados a usar o banho e a vala comum, e descer e subir de noite, no escuro, arriscando quebrar uma perna nas escadas apenas com o chamado da natureza. Katerina sempre se assegurava de aliviar-se antes de dormir, e já conhecia os horários de banho de cada um – o que não era tão difícil, já que nem todos os inquilinos do casarão pareciam banhar-se regularmente. Nem mesmo seu próprio pai.

       E ali estava ele, deitado de barriga para cima na cama de lençóis sujos, roncando sem nem se incomodar de acordar com sua chegada. Ela fitou-o curtamente, suspirou e sentou-se no sofá que lhe servia de cama, vendo o que havia para comer sobre a mesa. Não era muito. Ela desconfiava que aquele pão estava mais do que um pouco embolorado, e a sopa de repolho rala que a proprietária lhes dava já estava fria. Coçou a nuca por debaixo dos embaraçados cabelos vermelho fogo e resolveu tomá-la mesmo assim, deixando o pão de lado desconfiada de que ele poderia fazer-lhe muito mal. Roçou a carteira roubada com os dedos, olhando de soslaio para o pai, que ainda dormia. Não o avisei que iria procurar dinheiro, pensou. Mas se ela chegasse com comida fresca... ele saberia, e iria perguntar-lhe porque havia escondido o roubo. Antigamente, ele não gostava nada dela ter desenvolvido esse hábito; agora, não apenas não se importava, como perguntava-lhe sobre seu sucesso. E gasta tudo nessa maldita pilha de garrafas. Era um hábito que só havia piorado depois da esposa abandoná-lo quando ela era ainda uma criança de cinco anos, ao ponto dele esquecer-se até que ela precisava comer.

       Katerina suspirou, tomando a última colherada de sopa, e levantou-se. Pensou em pedir para esconder a comida na despensa da proprietária, mas não confiava nela, e muito menos nos inquilinos. Achou melhor comprar apenas algo para encher a barriga até o dia seguinte, e talvez esconder um pouco de dinheiro nas roupas de baixo. Um pouco entregaria para o pai, para que ele ainda a achasse útil para alguma coisa, por mais que lhe doesse ver tudo aquilo que poderia virar comida, um aluguel ou até uma roupa nova indo embora de maneira tão... estúpida. Desceu os degraus até  portão e saiu, verificando novamente se não havia nenhuma testemunha de seu pequeno crime por perto, e andou assoviando rua abaixo.

       Sua presa havia sido melhor do que imaginou que seria. Era a carteira mais gorducha que havia roubado havia muito tempo, e tudo o que precisou fazer foi derrubar um garotinho covarde e correr como sempre correu. Era leve, rápida e de pernas longas; alguns diziam que corria como uma gata, e ela se orgulhava bastante disso. Seus pés eram seguros e as mãos, firmes; além disso, dificilmente havia alguém que conhecesse as passagens entre as casas melhor do que ela. Esfregou o nariz sardento com satisfação ao pensar nisso, e sorriu. Vou comer presunto, hoje. Presunto, queijo e um belo pedaço de pão branco e novo. O pensamento fez sua boca salivar, e pensou que aquele estava sendo um bom dia.  


***

KATERINA, 8 ANOS



       Abaixou-se discretamente e levantou um pedregulho do chão.

       -Katya cabeça de tomate! – berrava um dos garotos, enquanto corria em volta dela, rindo. Como ela odiava aquela cara de rato e seus dentes tortos, e ainda mais aquela voz esganiçada. Não são nem mais altos do que eu, como eles tem a ousadia de tentar me desafiar?

       -Vão achar que sua cabeça está queimando e jogar-lhe um balde de água fria! – gritava um outro, um garoto magricela com cabelos ainda mais embaraçados que os dela. – Água fria nela, água fria nela!

       Quando viu que os outros dois do grupo chegavam com um balde de água fria e lamacenta, arrepiou-se como uma gata e jogou a pedra o mais forte que pode. Esta acertou em cheio o garoto mais velho na testa, que derrubou seu lado do balde com um estrondo.

       -Ela me feriu! – berrou ele, elevando a voz para que não vissem que ele começava a chorar. – A cabeça de pimentão me feriu, vai ter que levar uma boa surra! Peguem-na!

       E quem vai me dar? Ela sabia que eles estavam só esperando uma desculpa. Uma desculpa para bater em uma garota. Katerina bufou e deixou que se aproximassem dela, sem demonstrar medo. Seus pés eram rápido para correr, mas também para chutar; conseguiu deixar dois deles choramingando no chão com dois bons chutes no saco, até que um outro agarrava seus cabelos. Ela apertou os dentes e agarrou seu pulso.

       -Se pegar neles assim, vai se queimar. – gritou, e com um impulso bateu a própria cabeça no feio nariz do garoto. Ele soltou-a e correu, enquanto ela fechava seus punhos para o último, aquele que havia levado a pedrada na testa. Ele engatinhava para trás, de costas para o chão, obviamente assustado. – Da próxima vez que puxarem meu cabelo, puxo suas bolas pra ver se gostam. – soltou um ‘hmf’ autoritário estreitando os olhos, e foi embora.

       Garotos eram estúpidos, pensava consigo mesma. Pequenos e estúpidos. Demoravam a crescer por não terem miolos, e demoravam ainda mais para ganhar algum entre as orelhas. Ela tinha um ano a menos que eles, mas era ao menos um palmo mais alta. E mais esperta. Às vezes tinha vontade e abrir a cabeça de cada um deles ao meio só para descobrir que tipo de verme poderia rastejar ali dentro.

       Quando estava longe o suficiente do grupo, afagou a cabeça onde os garotos haviam puxado-lhe os cabelos. Sentia o couro levemente dolorido, mas não haviam arrancado nada. Podiam chamá-la do que quisessem, ela gostava da cor dos próprios cabelos. Era um vermelho vivo, que á luz do sol brilhava da cor do fogo, e ninguém mais naquela vizinhança tinha igual. Havia puxado os cabelos da mãe, cor de cobre escuro, mas os dela eram ainda mais vivos. Vivos como o fogo. Era a sua parte favorita de seu corpo longo, alto, mas ainda magro e reto. Não que esperasse algo diferente aos nove anos; mesmo daquele jeito, já confundiam-lhe a idade. Haviam perguntado se ela tinha onze, doze, até treze. Um velho havia dito quinze. Mas esse ela tinha certeza de estar meio cego.

       E se orgulhava também de, ao menos para si, parecer mais esperta que as outras meninas choronas do bairro que só faziam costurar e cozinhar sopa de repolho. Ela nem tinha uma cozinha, porque iria se importar em aprender a cozinhar? E remendar roupas era fácil. Pra que iria fazer um belo vestido de algodão se ele poderia rasgar-se no dia seguinte? Sentia-se bem com seus vestidos velhos que já estavam há muito curtos, por menos feminina que parecesse. Não sou uma donzela, sou uma ladra. Ladras não se arrumam.

       E foi então que lembrou o motivo de ter saído de casa. A carteira do fidalguinho estava muito bem segura em seu bolso, e o pai havia aceitado apenas uma parte do dinheiro sem perguntar se havia mais. Mas não pretendia abrir mão do resto que lhe havia sobrado. Precisava agora procurar uma nova vítima para garantir seu sanduíche de presunto do dia seguinte.


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Doll information:
Headmold: Volks MSD F-31
Body Type: Volks MSD Girl Body Girl Body
Skin Type: Normal Skin
Make up por: Anna G.
Data de chegada: Maršo de 2015





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